terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ir desatando os nós.

Eu vou passar por isso e terminar o que é necessário. Um fim traz um começo.
Tu vais voltar pra mim e não haverá mais silêncio ou solidão. Haverá dois em um.
El@ vai ter que entender que não tem como escapar do que é cansativo e mutável.
Vós ides abençoar a união que compartilha de mútua dependência.
Eles vão observar que desde o começo a vida dupla era tudo. Era preciso desatar os Nós.


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Vida real

Cena 1
Valentina entra em casa, tira a meia-calça, o tamanco e deita seminua no sofá de camurça. Pensa em Pedro. Se levanta e vai até a cozinha beber um copo d’água. Vê seu reflexo no vitrô da lavanderia e olha para trás. Caminha sorrateiramente até a geladeira. Pega um vinho seco aberto na noite passada. Abre o armário preto de madeira velha e envernizada, segura a taça com três dedos finos e vira o líquido cor de sangue no recipiente transparente.

Cena 2
Antônio acorda. Toma um banho demorado. Cria sua própria sauna a vapor. Põe um terno de linho e um sobretudo. Pega o guarda-chuva e caminha sentido a estação. Entra no metrô, vai até o centro e se perde. Para em um bar e pede informações. Pede também uma bebida. O frio pedia uma destilada da cidade natal de Antônio. Ela é de Salinas. Traz consigo, assim como seu conterrâneo, a força de hipnotizar e camuflar seus males com um gosto amargo. Pega suas coisas, paga a conta, sai pela chuva e, quando chega à esquina, se lembra que esqueceu a informação em cima do balcão. Talvez sua memória já estivesse um pouco falha para lembrar seu destino. Volta para casa e liga para Valentina.

Cena 3
A agulha da vitrola e a tampa aberta da caixinha de música não eram as únicas coisas que ecoavam pelo apartamento. Gemidos podiam ser ouvidos. Uma mistura de prazer e dor, dependência e entrega. Carlos ouvia tudo atento enquanto tomava um uísque Red Label e esmurrava o sofá amarelo de couro gasto comprado na liquidação de garagem. Os gritos eram homogêneos, mas ele pode reconhecer. Tina e Tônio se entrelaçando. Caça e caçador, cordeiro e faca, querer e poder. Carlos tinha os olhos molhados assim como sua boca normalmente seca para conversar com Tina. Esmurrou mais uma vez. Agora foi a mesa de centro estilo rococó. Virou o copo e engoliu o ódio. Alcançou a raiva e foi até o apartamento vizinho.

Cena 4
O clima foi cortado pelas batidas frenéticas e ritmadas na porta. Tônio levantou para atender. Cambaleou irritado até a entrada e alcançou a maçaneta. Sua mão estava suada e dificultou a virada. Se deparou com Carlos pedindo silêncio pois não conseguia dormir. Tônio morreu por dentro, mas respondeu educadamente que faria ausência de sonoridade absoluta. Fechou a porta e virou um soco no rosto de Tina. Alguns golpes foram ofertados na sequência. O ciúmes estava presente assistindo a luta que já tinha um vencedor anunciado.             Tina caiu ao chão com o sangue cor de vinho escorrendo pela mandíbula. Tônio chutou o umbigo do adversário e saiu pela porta. Quando chegou à esquina novamente sua memória falhava e ele já não lembrava mais da maçaneta difícil de abrir.

Cena 5
Carlos voltou ao apartamento e encontrou uma fresta que denunciava o corpo. Arrombou-se apartamento adentro e se ajoelhou, como que para um deus, perto de Tina. Ela estava respirando, mas não podia se movimentar. Estava inconsciente ou talvez paralisada pela dor. Ele logo percebeu que aquele era o melhor momento para ele botar fogo naquela vontade indomada. Ele abaixou as calças. Despiu o corpo já nu de Valentina e a domou, a consumiu, a tragou, a bebeu. Ela agora podia resmungar baixo, mas não havia outro vizinho que pudesse ouvir. Não havia também Antônio ou Pedro que pudesse socorrê-la. Ela apenas calou e consentiu. Ele terminou, levantou-se e abriu a maçaneta ainda úmida. E agora gelada.

Cena Final
Tina ligou para a polícia, se vestiu e arrumou a cama. Deitou no sofá e pensou em Antônio e Carlos. Levantou-se e foi até a cozinha. Com passos firmes e leves chegou ao armário e pegou uma taça a mais que noite passada. Prosseguiu até a adega e pegou um vinho tinto lacrado. A campainha tocou. Ela colocou um sobretudo transparente de seda, levou as taças vermelhas até a mesa e atendeu a porta com a maçaneta agora quente. Era José. Serviu o vinho cor de sangue e limpou o sangue cor de vinho da boca. Amanhã pensaria em José e tomaria a sobra do vinho de hoje. O dinheiro era colocado em um cinzeiro. Este possuía cinzas de um pagamento de uma prostituta. O cordeiro era a faca.

“Aqui ninguém vai pro céu.” – Não existe amor em SP – Criolo Doido

sábado, 1 de outubro de 2011

Nada sólido, quase líquido, tudo gasoso

Eu morri no dia em que nasci. Deixei de ser aquilo que sempre quis ser: gás. Me tornei um sólido comum, assim como os outros. As diferenças são apenas miragens da nossa mente criativa. Somos todos um bloco de massa sólido que se movimenta. Claro que fazemos muito mais coisas, mas todas as habilidades que temos e adquirimos são pra que? Infelizmente eu sei a resposta. Somos blocos e queremos permanecer blocos pura e simplesmente. Mas como tudo é mutável e nada é estático, podemos nos fundir e evaporar. Basta um pequeno gesto que pode ser feito de 'n' maneiras. Um bloco só decide se transformar quando o calor das emoções  nos esquentam e viramos líquido. Esse líquido é transparente, salgado e escorre das janelas dos  blocos. Muitas pessoas o nomeiam. Eu gosto de chamá-lo de mim mesmo. E a questão é que elas escorrem muito facilmente. E a partir daquele momento, é inevitável impedir a evaporação. Escolhi me misturar nas gotas do mar. Evaporei, mas não pude subir e voar novamente. Eu nasci no dia em que morri. Mas logo percebi. Não há paraíso ou mistura de gases, sólidos e líquidos. Há apenas vazio em concreto. Concreto vazio.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Meus Eternos Nãos & suas TIRAS

Cometo um delito.
Eu sei, e admito.
Minha vida é um mito.
Não ouço o apito.

O clarinete me chama,
a clara em neve me engana,
armo uma traquitana
e novamente ela me abana.

A rispidez da minha língua,
é a calmaria do meu pensamento.
Se falo a verdade, é mandinga
Se falo mentiras, logo contento.

Uma em mil é assim.
A abstinência verbal não tem fim.
Os outros me jogariam festim.
Se soubessem das mentiras pra mim.

No calor as coisas agravam.
As tiras se alongam demais,
Com suas pernas curtas.
Eu vou andando pra trás.

domingo, 25 de setembro de 2011

Filosofia de vida - Parte 1

A vida é feita de três princípios. O primeiro deles é o amor, aos amigos, à família, ao próximo, ao amor. O segundo é a felicidade. Esteja feliz a todo momento, dê risada e faça os outros rirem de você. O terceiro é a paz. Se você alcançar os outros princípios, você não terá porque se estressar ou brigar com quer que for. Sorria agora, olhe no espelho e seja feliz por nada. (pensamentos da madrugada)

sábado, 24 de setembro de 2011

Gêmeos


Não consigo traduzir eu mesmo
Às vezes estou cego
Mas outras vezes estou surdo
Ou até mesmo mudo,
e mudo em tudo.

Parar é difícil demais.
Eu não consigo pensar e não agir.
E a culpa é sua, e em suma
Te amo.

É um choque estar feliz.
E viver com você é a única forma.
Porque ainda continuo duvidando
Se eu estou aqui amando?

Entre versos e vidas te encontrei
Entre tudo e nada me achei
Não posso mais reclamar, afinal
O meu rio negro encontrou com a sua corredeira de quintal.

Corra, mas ao meu lado.
Ame, mas só a mim.
Viva, mas deixe-me proteger.
Morra, mas que tenha sido feliz.

Tento não ser tão flexível
Mas sempre sou o mais compreensível
Sou de gêmeos e existem dois
Mas ambos amam os sóis.

[Vida, devolva minha fantasia (8) ]

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

De manhã



Cortei o meu dedo com a faca do pão.
Cortei mais um dedo pra mais um verão;
Cortei em segredo do meu coração,
Todo seu amor que era um algodão.

Pensei que era azedo, mas logo senti.
Provei no veneno, o doce em ti.
Tentei não ter medo de admitir,
Que seu gosto morava onde escondi.

E suas estrelas habitam meu céu.
Da boca logo sinto todo o mel.
Será que eu consigo de uma vez secar
O meu peito suando, suado pra amar?

Peguei o algodão que você me deu,
Molhei num futuro que agora é só meu,
E joguei as gotas no meu apogeu,
Pra declinar e voltar a ser breu.

Mais uma luz acontece.
Mais um dia amanhece.
E tudo que peço é uma prece,
"Que o dia seja bom como o pão."

(Bom dia vida!)